sábado, 26 de abril de 2014

O eterno retorno (do blog!)



Mais uma vez estou tentando retornar às atividades do meu blog. Agora foram quase dois anos de parada, inclusive de esquecimento deste espaço. Agora de novo estou de volta. Espero poder manter por mais tempo e que haja algum público senão não faz sentido ter um blog (aliás, ainda faz sentido ter um blog?)
Estou envolvido em uma série de atividades que me deixam sem tempo, mas basta um mínimo de organização para escrever ou compartilhar textos neste espaço. Nesse meio tempo já fui e deixei de ser professor na UFPel - brilhante experiência - bem como me considero diferente, inclusive me chamando atenção vários dos textos do meu próprio blog: alguns positiva e outros negativamente, mas fazem parte de minha história e permanecerão, sendo a partir de agora acrescidos de novos textos.
Sigo assim mais uma etapa do "eterno retorno"(como diria Nietzsche), como um constante ir e vir deste blog. 
"A eterna ampulheta da eexistência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". Freidrich Nietzsche
Por isso estou voltando, contando que consiga produzir algo que mantenha este blog vivo, mas também com esperança de que sirva como espaço de informação, opinião e discussão. Por isso preciso da ajuda dos leitores, com comentários, sugestões ou nem que seja para falar mal de mim e de meus textos!


Abraços

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Hobbes, Rousseau e as eleições municipais





É inacreditável estarmos em pleno 2012 e ainda estarmos na perspectiva de ficarmos alheios aos avanços democráticos em nosso município. Sim, democracia, algo estranho para alguns, indiferente para outros, mas fundamental para todos! Democracia e cidadania são temas que aparecem sempre nos períodos eleitorais, mas parecem sair de cena após encerrados os pleitos. Democracia, o governo do povo, não é apenas o exercício do voto. Nossa Constituição já nos alerta no parágrafo único de seu artigo primeiro: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes ou diretamente , nos termos desta Constituição”.
Assim, é evidente que o poder é do povo, mas que, infelizmente fica à margem das decisões justamente naquele espaço mais próximo, nas decisões locais, na sua rua, no seu bairro, no seu município. A ideia de que o prefeito é o detentor de todo o poder, das decisões é uma visão totalmente ultrapassada, mas que ainda se mantém em Rio Grande.
Por isso, inevitavelmente, acabo buscando na filosofia política uma explicação que nos remete aos séculos XVII e XVIII, na diferença entre as teorias contratualistas de Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau. Hobbes, ao defender o absolutismo inglês, demonstra a importância de um governo forte (o Leviatã) que detém um poder total, dividindo a sociedade em soberano e súditos. Lamentavelmente ainda hoje há quem acredite ser esta a forma mais adequada de governar. Felizmente, Rousseau, filósofo de grande importância para desencadear a Revolução Francesa, nos mostra justamente o oposto: a necessidade de não termos soberano e súditos, mas sim que sejam todos soberanos, que o governo seja da própria sociedade, com participação!
Sim, participação é a grande questão. Não apenas dizendo que se ouve as pessoas, mas sim com instrumentos concretos e transparentes de participação, possibilitando o exercício de democracia direta, afetando diretamente nas decisões de políticas públicas locais, além de gerar educação política aos cidadãos e cidadãs.
Não creio que devamos nos perceber apenas como súditos, mas sim como cidadãos e cidadãs, não como meros objetos da política, mas sim sujeitos, aqueles que constroem políticas em conjunto, tendo como resultado uma sociedade mais democrática mais justa. A escolha está aí, temos uma eleição para decidir que contrato social queremos: o de Hobbes ou o de Rousseau!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Praia do Cassino como espaço público


* artigo enviado para o Jornal Agora no dia 12/01/12

Nos últimos dias tenho acompanhado um acalorado debate neste jornal acerca do movimento na praia do Cassino e suas consequências. Além de cartas no jornal impresso, discussões prosseguem em comentários no site deste jornal.
Acredito que seja importante fazermos uma análise um pouco mais ampla, diria até mesmo sociológica. Creio que podemos inicialmente distinguir dois aspectos: o comportamento social e a atuação do Estado.
Inicio pela atuação do Estado. É senso comum que o Estado tem dificuldades em fazer funcionar coisas simples. Ele deve ser cada vez mais organizado e assim também buscar uma ordem social. Quando falo em Estado me refiro à instituição de poder, no caso específico em sua esfera estadual (polícia militar) e principalmente municipal (planejamento, organização, fiscalização, etc.). É evidente que falta fiscalização, organização e planejamento e isto deve ser cobrado das autoridades competentes, principalmente prefeitos e vereadores.
Algumas alternativas simples como uma fiscalização realmente efetiva, uma padronização dos trailers, uma fiscalização do trânsito, de som, de agressão ao meio ambiente, e até mesmo se pensar com seriedade o fim do trânsito de automóveis na praia seriam algumas alternativas. Sempre se citam algumas dessas possibilidades, todas elas dependendo das autoridades, de cumprimento, criação ou alteração de leis. Portanto deixando-se apenas ao Estado a responsabilidade de resolver o problema – o que é sua atribuição.
O segundo ponto que acredito que seja a raiz do problema vai além do papel do Estado: a sociedade. Os problemas enfrentados em nosso balneário são muitos semelhantes a encontrados em outras praias, cidades, grupos e até mesmo redes sociais: o individualismo, a ética do “jeitinho” e a dificuldade de compreender o espaço público.
O individualismo é característica cada vez maior no mundo atual e faz com que percamos os laços sociais, a não ser para garantir a nosso sucesso, a nossa visibilidade como indivíduos, pois somos movidos pela ânsia individualista de consumir, de estar olhando apenas para seu próprio umbigo. Junta-se a isto a utilização do carro como forma de status, de diferenciação, em vez de ser apenas um meio de transporte. O carro e o seu som deveriam ser para transportar e entreter as pessoas e não para chamar atenção dos outros.
Para agravar o individualismo temos a marca de uma ética do “jeitinho”, do “sabe com quem tá falando”, que só reforça o individualismo e a consequência falta de coletividade.  Este comportamento perpassa os mais variados locais e formas, sempre fazendo com que se busque a esperteza, a vantagem, em lugar do justo, do correto.
Acrescento ainda como um elemento crucial a confusão histórica em nosso país entre o público e o privado. A compreensão do Brasil como uma res publica, isto é, uma coisa pública, ainda é um processo em difícil construção. A sociedade, de maneira geral, ainda tende a perceber o público como algo que é seu: “se é público é de todos, portanto é meu”! Errado, se é público é de todos! Assim acredita-se que pode andar com seu carro (ou estacioná-lo) onde quiser e como quiser, inclusive bebendo, pois é público; que pode ouvir o som que quiser, pois é público; que se pode sujar, deixar latas, garrafas, destruir a praia, pois é pública, e por aí poderia seguir citando inúmeros exemplos. Ainda neste ponto, discordo dos argumentos do tipo “os incomodados que se retirem”, pois é uma alternativa que despreza a noção de espaço público.
Para concluir, creio que é sim necessária uma maior fiscalização, mas é essencial uma conscientização, com ética e respeito, percebendo que a praia é um espaço da natureza e público, de todos e para sempre. Reforço que devemos cobrar das autoridades, mas mais que isso repensar as nossas atitudes para que assim possamos realmente ter um Cassino para todos.
 *Cristiano Ruiz Engelke

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Redes sociais: pescaria de tarrafa ou de molinete?

Reproduzo texto do site do Le Monde Diplomatique Brasil, de autoria de Carlos Fernando Galvão, que trata dos movimentos sociais organizados pelas redes sociais. Muito boa análise:

http://diplomatique.uol.com.br/acervo.php?id=2984

Redes sociais: pescaria de tarrafa ou de molinete?

Visualizamos pelo mundo diversas manifestações pró-redes sociais, e o quanto elas possibilitam uma revolução - não política, mas social. A riqueza desse movimento é a não-existência de lideranças visíveis, partidos políticos ou algo que o valha. Seria, pois, um movimento de reivindicação espontânea da cidadania. por Carlos Fernando Galvão

(Manifestante egipício na Praça Tahir, onde inúmeras manifestações ocorreram no ínicio de 2011 e culminaram com a queda do presidente Hosni Mubarak).

A vida é movimento e pausa, tal como uma bela canção e é alterada pelo que fazemos, notadamente, de modo coletivo. Até que ponto as políticas públicas de redistribuição de renda têm contribuído para melhorar a vida e a auto-estima do cidadão brasileiro, como um todo, e das administrações públicas, em particular? Será essa alteração mensurável ou, ao menos, passível de ser analisada e interpretada, ainda que de um modo um tanto intuitivo? Se essa alteração puder ser medida ou percebida ou, ao menos, de algum modo, intuída, poderíamos pensar na criação de um provisoriamente chamado de Indicador Geral de Felicidade Urbana? Sonhos de uma noite de verão? Bem...



Daniel Kahneman, psicólogo e Nobel de Economia em 2002, junto com um grupo de economistas estão criando o Índice de Felicidade Nacional ou Conta de Bem-Estar Nacional que, em linhas gerais, tem o objetivo de medir a satisfação das pessoas com suas vidas. A pesquisa foi financiada pelo Instituto Gallup e pelo governo norte-americano. As camadas mais ricas da população se declaravam, à época, (hoje, depois da crise de 2008-2009, certamente essa percepção já foi alterada) mais felizes do que as mais pobres, mas até determinado nível, após o qual a satisfação estancava. Para Richard Layard, da London School of Economics, a explicação para o paradoxo é que no início, quando enriquecemos, ficamos felizes, mas depois nos acostumamos. Outro fator para esse paradoxo, segundo Layard, é que as pessoas tendem, não raro, a medir sua felicidade em relação às demais pessoas e não a partir de sua própria realidade. Na pesquisa de Kahneman, constatou-se, uma vez questionados sobre se preferiam ganhar US$50 mil anuais, por exemplo, enquanto as outras pessoas ganhariam US$25 mil, ou se preferiam ganhar US$100 mil, enquanto os outros ganhariam o dobro, a maioria dos entrevistados optaram pela primeira opção. Ou seja, em geral, as pessoas preferem ser mais pobres se foram relativamente mais ricos que os demais. Lamentável, mas essa é a realidade do ser humano, no geral. No entender de Layard, isso ocorre por um excesso de rivalidade: se o padrão é o outro, a competição torna-se infinita, bem como o trabalho e o consumo – e, complementamos, o que faz com que as pessoas esqueçam-se, em parte, de suas vidas e vivam as dos outros e isso não traz felicidade.

Para tentar entender melhor o mundo do consumo, os economistas criaram a “propensão marginal a consumir”, que mede o quanto se incrementa no consumo de uma pessoa quando há um acréscimo em sua renda disponível líquida, expressa na unidade monetária com que essa pessoa lida, no dia-a-dia. Essa propensão se define como a variação do consumo na nova renda disponível e é calculada matematicamente. Deixando os cálculos para os economistas matemáticos é, obviamente esperado que o valor desse propensão seja mais alto em economias mais desenvolvidas. No caso brasileiro, desde o início dos anos 90, com a implantação do Real como moeda nacional, esse valor tem crescido e teve seu maior crescimento nos anos 2000 (não se sabe até que ponto tal crescimento se manterá sem, por exemplo, investimentos em infra-estrutura e educação, mas essa discussão fica para outro artigo).


O filósofo Vladimir Safatle mostrou, em artigo recente, que “por mais que economistas gostem de dizer o contrário, a ação econômica é baseada em sistemas de crenças e expectativas cuja racionalidade é fundada em fortes disposições psicológicas ‘irracionais’ – pois estão ligadas a fantasias” e alerta para o fato de que sociedades emergentes, como a brasileira, “crescem com alta desigualdade de renda, o que com que uma parcela mínima da população, com poder aquisitivo exorbitante, puxe para cima a cadeia de preços”. Isso, é claro, contraria uma idéia comum dos economistas em sua Teoria Geral da Formação de Preços, qual seja, ainda nas palavras de Safatle, “a mudança no preço de sua sessão não foi o resultado de alguma nova conformação das dinâmicas de oferta e de procura. Ela foi, na verdade, a descoberta de que, em países com alta concentração de renda, certas pessoas estão dispostas a pagar mais simplesmente devido à crença de que as coisas caras foram feitas para ela”.


Ora, realizando um pequeno e rápido exercício de reflexão sobre o que nos traz a pesquisa de Daniel Kahneman e estabelecendo uma ponte com a idéia de Vladimir Safatle, temos que os seres humanos, coletivamente, são movidos por interesses setorizados e egoístas.


Se conseguirmos um dia criar alguma coisa parecida com um Indicador Geral de Felicidade Urbana, talvez possamos retrabalhar nossos valores individuais e coletivos, voltando-os para fins mais nobres do que ganharmos rios de dinheiro, independente da vida alheia que agoniza, aqui e alhures, ou de sermos uma ou vivermos a vida das celebridades, essa entidade social tão perseguida quanto deletéria à vida numa sociedade que se proclama solidária e justa, ou mesmo do que termos poder, não como um instrumento afetuoso de transformação social, mas poder pelo poder, como um meio de nos sobrepormos ao outro que, sem ele, fica ou se sente humilhado e procura, de todos os modos, o mesmo caminho, realimentando esse círculo vicioso. E, convenhamos: quem segue os mesmos caminhos tende a chegar nos mesmos lugares. E há tantos lugares bonitos e agradáveis para visitarmos ainda...


O que fazer, então?


Nos últimos anos, a grande imprensa, vários políticos, diversos agentes econômicos, inúmeros setores dos movimentos sociais, enfim, praticamente toda sociedade, dita organizada, em vários lugares do planeta, vem divulgado, com grande entusiasmo, a boa nova das redes sociais e seu poder de mobilizar as pessoas em nome de uma causa. Muitos dos que comungam com este entusiasmo atribuem à atuação dessas redes o que de mais parecido há com uma revolução. Não uma revolução política, mas social, no sentido de que, e essa seria a riqueza desse movimento, não há, ou não haveria, lideranças visíveis, partidos políticos ou algo que o valha. Seria, pois, um movimento de reivindicação espontânea da cidadania.


A chamada “Primavera Árabe”, os “Indignados” da Espanha ou os explorados do “Ocupem Wall Street”, todos esses movimentos da cidadania teriam nascido das condições sociais adversas de cada país e, sem exceção, seriam, segundo os entusiasmados acima referidos, característicos da tal espontaneidade, ao largo e por cima da política tradicional, sempre entendida, quase que exclusivamente, como sinônimo das ações partidárias ou, quando muito, do terceiro setor (ONGs, sindicatos etc.), como se ações diretas da cidadania não fossem políticas, mas apenas “sociais”, como se não houve alternativas. A quem interessa essa idéia?


Muitos, alguns por ingenuidade, outros, por desinformação, uns tantos por interesse mesmo, criticam, no geral, a assim chamada Democracia Direta (referendos e plebiscitos), além de mostrar verdadeira ojeriza quando alguém fala em Democracia Participativa ou, no máximo, usam esta expressão quando estão a se referir ao voto e às muitas passeatas, todas importantes, mas insuficientes, por si mesmas. A luta por espaços de poder é uma constante na vida humana, desde tempos imemoriais. Não existe vácuo, em se tratando de política e quem não gosta de política, feliz ou infelizmente, é governado por quem gosta, ainda que não deseje isso ou mesmo renegue tal fato; omitir-se é passar um cheque em branco para quem, talvez, não proponha e/ou realize coisas que estejam de acordo com nossas idéias e concepções de mundo e de vida social. Aqui, certamente, está uma origem possível, dentre outras, do movimento planetário que descobriu as redes sociais como instrumento de protesto e mobilização: uma espécie de bastião por um outro mundo, quem sabe, desglobalizado ou, ao menos, mais justo nesse processo. Alguns afirmam que a globalização, tal como foi e é conduzida, esvaziou a democracia de sua substância e transformou nossas vidas em um produto subsidiário das vontades dos tais “mercados”. Será? Até quando?


A necessidade de criação desse outro mundo está levando muitas pessoas a questionar as formas tradicionais de administração pública e de fazer política e as está empurrando, por assim dizer, a tomar as iniciativas de realizar os protestos que estamos vendo, diariamente, nos meios de comunicação. Importante? Importantíssimo. Que continuem e cresçam tais iniciativas. Mas...


Se a tal “revolução social” ficar nisso, será mais uma frustração. Reivindicações pontuais, sem maiores objetividades e sistematizações, sem líderes identificáveis, com poucas metodologias (ou nenhuma) que realizam uma democracia participativa e com algumas leis que ainda são bonitos enfeites discursivos na boca de nossas lideranças ou em compêndios jurídicos e teses acadêmicas, nada disso mudará, real e estruturalmente, o nível de consciência política e de ações públicas que melhorem, para valer, a vida política. O livro “Democracia: do conceito à prática, da representação à participação”, Editora Claridade, lançado em 2010, de nossa autoria, procura dar uma resposta possível à questão metodológica da participação popular na vida urbana, quer dizer, procura oferecer à cidadania uma resposta viável à pergunta: como realizar uma verdadeira democracia participativa, não estando aparelhado por nenhum grupo de poder e sem demagogia e, ao mesmo tempo, sendo eficaz e solidário?

Incensar esses “movimentos espontâneos” e desideologizar as lutas políticas, confundindo-as com ações criminosas ou, quando há condescendência, com idéias ultrapassadas, é um desserviço às causas maiores, que lutam pela concretização, por exemplo, do terceiro lema da Revolução Francesa (ainda!): a fraternidade. Sim, porque uma disputa política se faz com a cabeça, mas também com o coração! Gandhi dizia que o conhecimento só serve para tornar melhor a vida do Homem, mas ao mesmo tempo, de nada adiantaria a cabeça estar cheia, se o coração está vazio.

Ideologia não é um repertório de conteúdos pré-fabricados e radicalizados, mas uma espécie de gramática de engendramento de sentidos sociais. Só esse tipo de ideologia, realizada com a cabeça e com o coração, com respeito pelo outro e baseada em princípios democráticos, fará a verdadeira revolução política (e pacífica) que precisamos e merecemos. As redes sociais, que devem ser incentivadas, não têm, contudo, condições de pescar de tarrafa, por assim dizer, como seria o ideal, arrastando multidões para ações políticas concretas, pelo tempo necessário, ou seja, para além da moda que, por definição e natureza, logo passará. A pescaria não pode ser de molinete, sob o risco de alimentar apenas alguns de nós e não a humanidade!


Carlos Fernando Galvão

Geógrafo, Doutor em Ciências Sociais e Presidente da ONG Cidade Viva

sábado, 29 de outubro de 2011

Nós nascemos para correr?

Ainda que tenha uma infinidade de outros temas para discutir, hoje resolvi sair de meus temas usuais (política, sociedade, cidadania,..) e fazer apenas a postagem do vídeo do jornalista Christopher McDougall, autor do livro "Nascido para Correr".
http://www.ted.com/talks/lang/por_br/christopher_mcdougall_are_we_born_to_run.html
 
Para quem acha que não pode ou não consegue correr muito tempo, se não começar é que não vai conseguir!
 
Vamos lá!!
Bom vídeo e depois boa corrida!!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eduardo Galeano - El Derecho al Delirio

Aproveito este retorno para compartilhar este belo vídeo, uma verdadeira aula com o pensador uruguaio Eduardo Galeano: El derecho al delirio.
A ideia de que a a utopia pode não acontecer, mas é ela que nos faz caminhar é fundamental para seguirmos acreditando em um mundo melhor!

Mais um retorno



Mais uma vez o meu blog volta à ativa.


Muitos assuntos precisam ser tratados e espero conseguir escrever com mais frequência.

Quase um ano inativo. Uma lástima. Este espaço pode e deve ser melhor utilizado.


Assim, retorno destacando um ponto importante que nos remete ao título deste blog: "as palavras ajudam a fazer o mundo social". Como já dizia Bourdieu, palavras constrõem a realidade social. Assim como Foucault que dizia que "o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou sistemas de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar".


Faço esta referência para mostrar que espaços como blogs, sites, redes sociais devem ser cada vez mais utilizados como espaços de luta de discurso, de ideias, de verdade, isto é, de política.


O poder midiático pode e deve ser confrontado. Pode e deve ter alternativas, pois se não tiver não teremos de fato democracia. A ideia de que liberdade de expressão garante democracia, com base no falso princípio liberal de que os meios tradicionais de comunicação expressam a verdade, as vontades da sociedade e estão acima do bem e do mal, acima de qualquer possibilidade de regulação, de crítica, apenas encobre os interesses políticos, econômicos e sociais de grandes empresas e de profissionais da comunicação.


É através da crítica e da dúvida sistemática, da discussão e da essência democrática da ágora que devemos partir. Com a busca da construção de uma sociedade melhor para todos, ainda que isso gere apreensão para parte de uma sociedade elitista e conservadora que joga sujo para manter seus privilégios seculares.


Nunca se viu uma América Latina tão organizada, crescente, unida e em franco desenvolvimento. Isso incomoda muita gente, mas muito menos que aqueles que são favorecidos e aqueles que percebem esse momento histórico ímpar em nossa história!



PROGRESSISTAS, ESQUERDISTAS, UTOPISTAS, AQUELES QUE CRÊEM EM UM MUNDO MELHOR PARA TODOS, UNI-VOS!